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28-12-2018 Super autoestradas da informação Acerca de um artigo de José Pacheco Pereira "O ruído do mundo", in Público, 24 de Novembro de 2018 Lendo um artigo deste autor, pude constatar que nesta era de superinformação à escala global, existem graves defeitos naquilo a que podemos chamar a grande teia, a World Wide Web. Anos de análise e de experiência junto de computadores, sites, e webs fizeram-me pensar, como fazem pensar muita gente, acerca de algumas ideias que gostaria de deixar aqui escritas. Ao navegar pela net, ao trocar experiências, ao analisar e pesar tudo, podemos chegar à conclusão de que a atual abundância de fontes noticiosas e a facilidade de acesso permanente à informação, muitas vezes apresentada de forma não diferenciada como entretenimento, em alta velocidade e disponível vinte e quatro horas por dia, em vez de informar melhor as pessoas contribui para que elas fiquem mais confusas e distraídas do que se passa à sua volta. Veja-se o fenómeno...
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*** Sobre o livro ‘Mitologias’ de Roland Barthes *** ‘Mitologias’ é uma coleção de ensaios de Barthes que falam sobre os sentidos nos 'media' presentes na vida de França dos finais dos anos 50. Nesta obra de 1957, Barthes tenta saber como as ideologias dominantes se apresentam a si mesmas como formas de justificar o mundo como ele deve ser. Barthes diz que essas ideologias se apropriam da cultura popular para se propagarem. Diz também que as imagens construidas pelos media, se lhes for tirado o sentido, ficam fora do contexto e apenas mostram a ideologia burguesa. A questão que Barthes coloca é: As ideologias dominantes representam-se a si mesmas e dizem-nos de facto como o mundo deve ser? Barthes faz uma observação critica da cultura popular e dá-lhe um novo sentido. Ele afirma que as ideias são embaladas novamente e retiradas do seu sentido real para criarem mitos. Os mitos estão no dia-a-dia da vida de França ao...
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Não estava a chover.  Saí pela porta e entrou-me pelas narinas o ar frio do Inverno Natalício da cidade. Pensava em mudar todo o mundo com o pensamento.  Pé após pé, fui fazer uma caminhada até ao Parque, olhando os transeuntes que passam, vendo a vida sucessivamente a passar por sucessivas vitórias e derrotas que se sucedem sem cessar como um vento que nos empurra para a caminhada árdua que dá acesso à grande batalha da vida, aí fui, passando um jardim e olhando o céu fumado em cinzento doce. Afinal, a nossa sociedade é algo que está pensado para que vivamos nela fazendo rodar as rodas do destino em cada ato de vontade. E passo a passo lá ia eu pensando que, quando nasci, o céu tinha uma configuração de planetas, lua e estrelas que foi fotografado na sua totalidade quando dei o meu primeiro grito ao nascer. O ar entrou e ficou impresso no meu primeiro gemer de vida exatamente toda a configuração da roda do meu destino, essa foto tirada do céu quando nasci. E fui pe...
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A Man In The Crowd   - 23-12-2018 Ao caminhar pelas ruas da cidade, algo que faço muito, talvez imitando o personagem do conto de Edgar Allan Poe, em "A man in the crowd", escrito em 1850 e terrivelmente atual, sinto que este século XXI é o tempo, sem dúvida, do 'flaneur'. O que é um 'flaneur'? Deixo-vos a noção aqui:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Flâneur 'Flaneur' é o personagem tipo do século XXI. É o 'voyeur' da vida, é o que vê tudo no cenário da cidade, o que vê TV com os olhos enquanto caminha, o que olha o telemóvel enquanto caminha ou conduz, o que vai ao cinema ver a magia ilusória, o que vai atrás dos anúncios políticos, o que vai atrás das iscas lançadas pelo marketing, o que vai atrás dos novos templos de Vénus que são os centros comerciais, o que vai atrás do filão do mercado do futebol, o que se mete em filas de trânsito para ver o já visto, o que entra nos sítios de grandes multidões só porque é 'cool'... ...
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Li estes versos de Matsuo Bashô e fiquei siderado: "O coração viajante não se enraíza Antes quer ser Braseira ambulante." Que belos versos! Fazem-me pensar que, como viajantes da estrada do destino, da nossa Vida, encontramos como resolução do nosso mandala pessoal, aquele que está dentro da grande roda que vai girando, o serviço puro e desinteressado a quem sofre. Porque todos estamos no caminho, talvez no caminho de sermos melhores do que fomos ontem, talvez no caminho de quem quer lançar boas sementes para amanhã; ao longo desse caminho encontramos muitos amigos, amigas, pessoas conhecidas, pessoas anónimas, amigos e inimigos, o que for, são anjos no nosso caminho, tesouros para descobrirmos, tesouros quando vemos nestas pessoas os vícios de que enfermam, desta forma podemos olhar para nós mesmos e ver, que muitas vezes os defeitos dos outros já os fizemos, então, ao tomarmos consciência disso aprendemos, quer com o bom quer com o mau exemplo; os bons que s...