O estranho conceito de lifetime value

Lifetime value é o valor economicamente calculável do tempo de vida do consumidor.

Numa sociedade onde tudo e todos podem ser considerados como uma mercadoria, surge esta nova fórmula de cálculo, que é como quem calcula o valor da uma vida humana em dinheiro, em lucro que pode dar a alguns e a si mesmo… 
Como pode ser isto numa sociedade que diz defender a dignidade humana e que dá tanta iniciativa à vontade individual, ao livre-arbítrio, à vontade livre de viver e de escolher?
Reduzir o ser humano a uma quantidade de patacos para alguns explorarem, extorquirem e vilipendiaram para nós é tido como um dos maiores insultos ao ser vivo que ocupa este mundo.
Toda a vontade usada para viver, para estar ao serviço da comunidade pode então ser avaliada, pesada e medida conforme o câmbio atual, conforma as divisas, como se o ouro fosse vender o que somos e fosse no fundo todo o sentido de viver.
Esse ouro do vulgo é confundido com o outro ouro, o do ser, o do ser que vive, que tem direito a viver livre, fazer as suas escolhas, não estar sujeito às normas de sistema sem ter delas uma palavra a dizer ou a pensar, ou mesmo algo a fazer…
Calcular a vida de um ser humano e transformá-la em dinheiro demonstra o grande atraso a que chegamos julgando o ser humano como mais uma mercadoria, que se usa, troca, dispõe, sem se olhar sequer ao seu valor intrínseco, ideal de perfeição de outros tempos.
Fazer do ser humano mais um rato que roda a roda de hamster do lucro para sobreviver, é fazer o mesmo que fazem a este animal, prendê-lo a um sistema que serve quem está fora da gaiola do rato e que vive à custa dessas corridas na roda.
O valor humano é algo que não tem preço e não existe dinheiro que o pague.
Ao nascer somos únicos, viemos com uma missão de nos aperfeiçoarmos, de poder expandir todas as nossas potencialidades.
Obrigar o homem a trabalhar para sobreviver, pagando as contas, fazendo disso um sistema de vida obrigatório, sem saída, fazendo o rato rodar a roda até morrer, dando-se valor apenas a isso como mérito e honra e fama, é ser redutor, é ser mesquinho e vil, é dar valor ao homem como se dá valor ao dinheiro, uma mercadoria transacionável, descartável, fútil, que se usa e dispõe, que se dá valor, como a um escravo que consente ser marcado pelo seu senhor, dar um valor vitalício ao consumidor é reduzi-lo a um escravo de Mamon, do desejo que não lhe dará a mínima paz, que lhe retira a capacidade de ser apenas o que é, de poder evoluir para onde quiser…
Chegamos a um ponto onde tudo tem um preço, até o ser humano…
Estamos dentro de um mundo mercado, cheio de cambistas e de vendedores.
O trabalho não é só a busca do ouro também é o ouro que se dá e que se recebe que não é exatamente o ouro, mas são outros valores, como a paz, a concórdia, a amizade, o companheirismo, o amor, o altruísmo.
Reduzir o ser humano a um ser que vive num zoológico dentro de um mercado e ofuscar com uma sombra todo o outro ouro que está por detrás do arco-íris é retirar meia vida a todas as pessoas que acreditam que é assim.
Venha por favor o ideal de Jesus expulsar de novo os vendilhões deste templo!



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