Formação nas prisões

Recentemente vi na televisão da sensação, as noticias negras do nosso dia a dia, que um juiz foi repreendido tanto pelos seus pares como pelos media sobre casos onde existiu violência doméstica por parte de dois dos seus julgados e que estes tiveram grandes atenuantes de pena.
Os media noticiaram este facto de modo algo precipitado, a meu ver, pois, e logo em seguida, soube-se do caso de uma prisão portuguesa onde os reclusos faziam festas, fumavam droga para o Facebook, usavam telemóveis na prisão, etc.
Relacionando estes dois casos, acho que houve uma grande perda de tempo por parte dos média, pois relevou-se a parte negativa dos crimes, houve mão pesada para o juiz e para os reclusos, a nível de censura social, mas deixou-se de parte o essencial:
Como solucionar estes problemas.
Por acaso os media têm trabalho em, ao noticiar de forma 'degraçadista' os acontecimentos, dar consequências do caso que sejam formativas para as pessoas?
Há a preocupação, a meu ver, mais em denegrir, censurar, apedrejar as pessoas, ou tentar formar as suas consciências para a parte positiva, útil das questões em causa?
Refiro-me por exemplo a isto:
Em vez de fazermos um pelourinho em direto às personagens noticiadas, deveria haver, na minha opinião, uma formação da consciência das pessoas para melhores ideias, melhores práticas, uma reabilitação das questões.
Por exemplo:
Porque não, em vez de fazerem autos de fé a estas personagens, dar formação nas cadeias, aos presos, aqueles que atentaram contra a sociedade?
Não seria mais útil isso do que estarmos a pisar as pessoas com o julgamento diário negativo queimando vidas e reputações?
A prisão acaba por ser um local inútil onde muitas das vezes se aprende mais a arte do crime do que a arte da regeneração, isto porque não existem formações, ao nível das que se fazem nas escolas, para as pessoas que atentaram contra as normas de convivência da sociedade.
Acredito mesmo que existem pessoas nas escolas que têm menos liberdade do que nas prisões.
A liberdade estaria no ensino das pessoas, na formação ativas dos presos para que ganhem consciência de si mesmos e tenham um forte impulso para a regeneração, não para a repetição dos seus atos ofensivos, ainda por cima financiados pelos contribuintes.
Se se financiam as escolas com o dinheiro de todos, também se devia financiar um ensino de qualidade nas prisões, para que todos possam ser melhores e ter condições para melhorar as suas vidas.
Fica o repto aqui lançado…
As televisões ocupam muito do seu espaço com um tipo de humor/drama negro que, a meu ver, polui as consciências das pessoas com a negatividade que é vertida para a consciência, como um vírus, moldando até o humor quotidiano das pessoas e o seu bem estar que se torna em mau estar…
Relatos de funerais, relatos de crimes, repisar constantemente obituários na cara das pessoas que pagam para assistir a isso lembra-me tempos de fado, tempos de fatalismo que foram úteis a quem pelo medo queria instilar nas consciências uma obediência cega a normas autoritárias e de destino já está traçado por um certo 'desgraçadismo' conveniente.
A alegria e o optimismo cultivam-se, dia a dia, nas pessoas, naquilo que é o trabalho das pessoas.
Porque é que em nome de audiências, com a mentalidade de quem para o carro num basbaque para assistir a acidentes, desculpem, mas nos países civilizados, os automobilistas, quando vêm o acidente, desviam-se um pouco e seguem caminho porque já sabem que vai haver assistência garantida.
Fazer dinheiro em nome da desgraça dos outros, alimentar abutres à custa da carniça da desgraça diária, é um tema que nos faz pensar na velhinha beata de negro a queixar-se das doenças e da última desgraça da vizinha quando nunca fez nada para melhorar a sua situação ou a  dos outros…
Mentalidades baixas falam das vidas das pessoas, mentalidades médias falam das coisas que acontecem, mentalidades fortes falam das ideias em volta do que existe.
Formação para o fim das prisões, no seu todo, é preciso!



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