As novas tendências em educação

Ao longo de intermináveis estudos que se podem fazer sobre os dharmas do dia a dia, recolhi alguns dados sobre as novas tendências da educação nos dias de hoje aplicadas ao ensino das línguas vivas.
Pude constatar que estas tendências incidem sobre temáticas que antes não eram tão abordadas e que, cada vez mais, se faz um recurso inesgotável de algo que antes não existia, a interdisciplinaridade.
Agora, e mais do que nunca, é preciso saber um pouco de tudo.
Tal e qual como o homem renascentista, o cidadão de hoje deve saber bem vários temas e ter variadas competências para executar as suas variadas tarefas diárias pois, por vezes, este até pode ter vários empregos ao longo da vida, isto no reino do que se chama hoje de flexibilidade, ou melhor, o ser de hoje é um ser joguete das circunstâncias e das conjunturas onde o conceito de carreira é cada vez mais tido como algo de impermanente, assim como o futuro.
Isto vem descrito nos próprios currículos de ensino para os jovens como pude constatar.
Ensina-se então para a incerteza, ora, a incerteza gera medo e insegurança, temos então um ensino virado para o futuro incerto viajado com o medo sempre por perto…
Faltam certezas às pessoas, aos jovens, ao ser de hoje.
Como consequência disso apareceu o ensino cada vez mais autónomo, onde até num telemóvel se pode tirar um curso universitário pagando apenas às operadoras.
Assistimos cada vez mais na educação a uma forma de ensinar baseada na comunicação, na interação.
Se antigamente se privilegiava, no ensino de línguas por exemplo, a tradução, a memorização do vocabulário e das regras, as conjugações dos verbos, agora, e com o descrédito do ensino áudio-lingual, surge uma nova forma de educação.
Resultante da emergência do inglês como língua global, da inovação tecnológica e da necessidade crescente das pessoas aprenderem autonomamente, o eminente concelho da europa decide que o que interessa agora são as necessidades das pessoas e o que elas podem vir a fazer com a língua que querem aprender.
Assiste-se a uma tentativa de dar significados sociais dentro das estruturas gramaticais, a uma enfase maior nas interações humanas, nos diálogos, nos testes de conhecimento gramatical, nas estratégias de saber lidar com algo que aparece no momento, encoraja-se as pessoas a buscar informação, a procurar o esclarecimento, a usar o diálogo como forma de negociar o sentido das coisas, procura-se resolver uma tarefa comunicativa.
Os professores assumem riscos, são expostos cada vez mais às lições do dia a dia.
À competência gramatical junta-se a competência sociolinguística, a competência estratégica, a competência discursiva, ou seja, é preciso, num professor de línguas vivas, saber antes de mais:

- as regras das línguas que ensina
- como usar a linguagem com o público,
- como pensar as estratégias para ensinar,
- como saber falar perante o público.

Traduzido em poucas palavras, a competência comunicativa no ensino tem de ter estas competências bem desenvolvidas:

- saber as regras das línguas (a gramática)
- saber usar as línguas perante o público (saber falar, saber do que se fala, saber explicar as línguas).
- pensar as estratégias para bem ensinar (saber pensar bem o que ensinar e como ensinar).
- saber falar com o público e para o público (saber as regras da oratória, ter soft skills).

Cada vez mais se usa uma perspetiva multidisciplinar onde é necessário ter conhecimentos de:

Linguística,
Psicologia,
Filosofia,
Sociologia,
Investigação Educacional

Estas são os requisitos para se ser bom professor de línguas nos dias de hoje.
A aprendizagem das línguas é também um assunto de educação e um assunto político.
Dar aulas é um exercício de desenvolver materiais locais que dependem do envolvimento de professores locais.
A linguagem serve para a comunicação, é uma ferramenta social.
Cada vez mais se aceita a diversidade, a competência dos alunos é relativa, os modelos de ensino são variados, a cultura molda a competência comunicativa dos falantes.
Não existem regras fixas, a linguagem usa-se para trocar ideias, textos e interação.
Isso tudo vai formando o aluno e o professor.
A linguagem serve vários fins em todas as fases da aprendizagem.
É necessário cada vez mais ter uma perspetiva intercultural e interlinguística ao ensinar.
Hoje é essencial ensinar as línguas vivas com a cultura, pois a essência da humanidade é o entendimento entre pessoas diferentes.
A cultura é uma busca de significados sociais, culturais, lógicos, emocionais, morais, estéticos que deve ser divulgada em sala de aula.
A cultura é a ligação entre a civilização e as diferentes épocas.
Necessita-se de procurar a compreensão entre as culturas e o diálogo entre elas.
No ensino comunicativo privilegia-se a consciência metalinguística, as regras de sintaxe, as regras do discurso, o saber se a comunicação é apropriada socialmente.
O professor está focado no seu contexto e na natureza específica das suas crenças, nas suas maneiras de ver o mundo e orienta os alunos a partir daí.
A interação é a chave, os jogos, as experiências locais, as necessidades locais.
Cada vez mais o ensino se dirige para o ir ao encontro do que as pessoas querem, das suas necessidades locais, particulares, individuais.
É cada vez mais necessário num professor o captar dos desejos, as expetativas e as ambições dos alunos para lhes poder dar a lição necessária ao seu desenvolvimento pessoal e já não se trata tanto de ensinar as massas, a internet confirma isso mesmo com a dispersão da massificação para a compartimentação individual das pessoas, onde elas, individualizadas e vivendo em bolhas, aprendem e acumulam informação para terem aquilo que querem.
Retira-se disto que cada um tem as suas lições a aprender, que o professor deve ter algo em comum com os alunos.
O professor deve procurar o que há de comum entre ele e os alunos para melhor os servir.
Há a necessidade do professor concentrar-se em dar aos alunos aquilo que eles de facto precisam, quase como uma letra da música dos Nirvana, onde o aluno, retido numa audiência, parece dizer sempre:

Here I am, Entertain Us!

(Aqui estou eu, entretenham-nos!!!)

O centro do ensino não é tanto a autoritas mas sim os discípulos individualizados.
Há um socialismo democrático que aparece neste tipo de ensino que nos ensina que toda a gente pode falar, que podemos todos negociar o sentido das coisas em sala de aula, onde o professor orienta, vai dando pistas, é, no fundo, um facilitador e já não tanto um autocrata que dita e os outros calam.
As soluções devem ser colaborativas e não impostas, tal como a democracia perfeita deveria ser:
as pessoas apresentam dúvidas e possíveis soluções, o professor vai orientando para chegarem todos a um bem comum, a um desenvolvimento de todos a partir da súmula do conhecimento que ali foi deixado.
Isso é progresso, síntese e avanço no conhecimento.

Assim, educar deve ser não tanto ensinar algo de definitivo mas fazer pensar colaborativamente, em permanente diálogo, até se acharem as soluções.
Cada um já tem as soluções em si, deve ser motivado a achá-las e a procurar.
Isso faz desenvolver e aperfeiçoa a pessoa, no tema que está a tratar e de uma forma integral pois obrigou a um esforço de busca autónomo apoiado não num dirigismo autocrático mas numa busca pela verdade de forma colaborativa e autónoma.
Tal como Sócrates, entende-se como sendo o professor não aquele que dita verdades mas aquele que faz pensar e que faz cada um buscar a verdade que já está contida nele mesmo através da compreensão feita a partir do seu próprio nível.
O professor já não é um sofista pago para ensinar coisas que se esquecem depois mas sim um pensador que induz o pensar, pois o estudante, futuro cidadão autónomo, não deve ser aquele que já tem tudo feito mas sim aquele que sabe pensar por si para se conhecer a si mesmo e para conhecer o mundo transformando-o.




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