Acerca de uma lei de Newton
Newton uma vez afirmou que qualquer movimento que se faça tem a sua ação contrária.
Uma pedra à luz do sol projeta sombra.
Uma questão pode ser vista de forma positiva ou negativa sempre.
Um argumento pode ser a favor ou contra sempre.
Se me movimento, o meu próprio peso faz uma força contrária.
O que se passará no mundo das ações, das palavras e dos pensamentos a partir desta lei?
Pensei na lei da conservação da energia.
Uma força exercida num sentido tem sempre uma força contrária.
Mas e se quiséssemos obter uma força pré-definida por nós?
E se pudéssemos obter uma determinada força com a intenção de a receber?
Fiquei a pensar na famosa lei do Karma.
Os ingleses têm um ditado que posso traduzir por:
O que atiras ao mar, noutra corrente, noutra onda, receberás.
Pensei então naquilo que atiramos ao mar todos os dias nas nossas vidas.
Atiramos bons pensamentos, boas palavras, boas ações ao mar?
Já tomamos nota do que recebemos do exterior todos os dias?
Qual é a tendência?
A tendência será recebermos daquilo que atiramos, em diferentes contextos, através de diferentes personagens, em tempos diferentes.
Mas sempre recebemos aquilo que merecemos.
Recebemos o que necessitamos para evoluir.
A mesma força que faz girar um planeta numa órbita, em círculos, mais ou menos perfeitos, com certeza governa este tipo de lei a uma escala macrocósmica.
Que se vai refletir numa escala microcósmica.
Em nós.
A força gerada por esse movimento, concêntrico, elíptico, espiralado, é com certeza a matriz dessa lei.
Então, presume-se, o que se atira para o exterior, acaba-se por receber, sob diferentes formas, em diferentes tempos.
Cedo ou tarde um planeta faz a volta completa.
Cedo ou tarde colhemos aquilo que semeamos.
E se a lei da concentração da energia está correta, nada é perdido pelo caminho.
Tudo se transforma mas a energia conserva-se, expande-se, aumenta, diminui.
Com certeza é essa mesma energia que retorna para nós, depois de semeados os pensamentos, as palavras, os atos.
Inevitavelmente.
Retorna a nós como força contrária, de receção.
Bons pensamentos recebem, ao fim de algum tempo de gestação e frutificação, bons pensamentos de volta - uma mente sã.
Boas palavras recebem, ao fim de algum tempo de gestação e frutificação, boas palavras de volta - um ambiente sadio.
Boas ações recebem, ao fim de algum tempo de gestação e frutificação, boas ações de volta, sob diferentes formas, em diferentes contextos, por diferentes personagens - uma vida agradável.
Se andamos aqui em círculos como os planetas, e se a energia que despendemos não se perde e tudo retorna à sua fonte criadora original, para quê fazermos do mundo um local negativo, escuro, cruel, depressivo, vingador?
Pura perda de tempo.
No espaço profundo reina uma grande indiferença por nós.
Na mais distante constelação, o silêncio dali é independente do nosso esforço, mérito, vontade, ideia de fama, honra, poder, amor, dinheiro…
Mas aposto que também ali existe a mesma lei.
A lei da retribuição justa do esforço despendido proporcional à vontade exercida numa determinada direção.
A ciência recentemente afirmou que a matéria invisível ocupa a maior parte do espaço.
Aquilo que não vemos tem uma força colossal presume-se.
Aquilo em que despendemos energia conserva-se, no tempo e no espaço, retorna a nós, é causa da mesma consequência, como um planeta que completa um ciclo e volta mais experimentado.
Assim somos nós, cometas de S. Jorge no caminho do sol.
Pensei estas coisas hoje, ao caminhar pela cidade, numa manhã simples e complexa como todas as outras, após me aperceber das consequências de certos atos que fiz na vida.
As consequências foram iguais às causas.
Tudo retornou a si sob diferentes formas, sob diferentes personagens.
Quem agiu foi a mente sobre a matéria.
Ela devolve depois.
Como a lei de Newton.
Ação gera reação.
Na mesma proporção energética.
Prazer e dor vêm de ações passadas…


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