Pensamentos avulsos sobre as redes sociais e tecnologias 2019:
Depois de observar um pouco o mundo ao meu redor, na posição de mero espectador, livre, autónomo, cheguei a algumas conclusões, que passo a partilhar com vocês:
As redes sociais, vistas de uma certa maneira, foram criadas e perpetuadas para servirem, a meu ver, 6 propósitos:
- Para fazer dinheiro através de nós.
- Para obter livremente os nossos dados privados.
- Para causar um facto novo - que cada um de nós se autoincrimine.
- Para as pessoas saberem de nós e o que fazemos.
- Para manipular as pessoas.
- Para facilitar atos menos lícitos.
As redes sociais fizeram tudo isso sob a capa da liberdade, do amor, da unidade, de podermos ter um mundo mais próximo, de fazer com que as pessoas se juntem, enfim… Blá-blá-blá nerd.
Eu pergunto o seguinte:
Depois que o fenómeno das redes sociais começou, sentimos que de facto o mundo se tornou um lugar de mais liberdade, de amor, de unidade?
Ou aconteceu exatamente o contrário - o mundo tornou-se num sítio onde ninguém já não acredita em nada do que vê ou do que ouve, onde tudo é banal até ao ponto da indiferença, onde o dia a dia parece muitas vezes um palco de loucos onde que cada um fala a sua deixa, vive a sua cena como num reality show sentindo-se um alone pop star, e já ninguém se ouve, ou entende, minimamente, pois foi tudo ver e pensar outra coisa completamente diferente.
A festa, hoje em dia, está sempre em outro lado!
O sagrado ato da escuta perdeu-se.
Perdeu-se o escutar em todo este ruído e nas murmurações solipsistas típicas destes tempos que correm com as suas sombras ao redor da ambição individualista puramente material.
Já não se comunica com as emoções ou com a espontaneidade de antes, os ecrãs tiram a simpatia às pessoas e fazem-nas parecer mais duras e sensíveis ao mesmo tempo. Agora tudo parece ser mais robótico, tímido, voyeurista, introvertido, prestando-se cada vez mais atenção à linguagem corporal (onde supostamente somos iguais aos macacos e temos de ter poses estudadas e de dizer coisas apropriadas ao jogos de linguagem da circunstância), fazendo mindfullness para pensar passivamente como um computador racionalizando as situações em like ou dislike, como uma máquina de calcular fria e cerebral tomando decisões importantes em microssegundos, tornou-se o humano num ser mais passivo e submisso agora que se adotam como costumes certas teorias que vão provocando uma descida da população, cotoveladas sociais entre homens, mulheres e outros, rixas intermináveis em nome de desigualdades que sempre existiram e que continuarão a existir enquanto existir a noção de sofrimento e humanidade...
Isso leva-me a pensar que:
"A pior forma de igualdade é tentar fazer desiguais as coisas iguais." - como dizia Aristóteles.
"A pior forma de igualdade é tentar fazer desiguais as coisas iguais." - como dizia Aristóteles.
Outra consequência tem sido a divisão criada pela multiplicidade de meios de comunicação.
Agora podemos ver o que quisermos em múltiplos suportes e já não assistimos aquela situação antiga onde milhões viam exatamente a mesma coisa e sabiam exatamente das mesmas coisas - isso era no tempo da massificação da cultura.
Hoje ela está dispersa, o que tem como consequência o existirmos numa consciência ainda mais dispersa, isso pode-se verificar na atenção das pessoas, onde cada uma pensa, fala, ouve uma coisa, mas, como na Bíblica Babel, cada um comunica uma língua diferente e já ninguém verdadeiramente se entende ou mesmo escuta o outro com ouvidos para ouvir.
Isso faz com que na sociedade suceda um fenómeno que se compara com o símbolo de Mercúrio.
É uma sociedade de comunicação intensiva, onde tudo se sabe a velocidades estonteantes mas onde já não há um centro de apoio humano individual, um Eu forte, um sólido suporte pensante dentro das próprias pessoas, perdeu-se um pouco o significado da sabedoria feita pela experiência para sermos mais tarefeiros do momento. As pessoas hoje são levadas como o vento por ideias rápidas, por desejos rápidos, por ambições start-up mal amanhadas, e entram em combustão rapidamente retirando o espaço precioso da intimidade, do silêncio, da privacidade, da reflexão, da concentração, da ponderação, condição essencial para a tomada de decisões mais maduras e acertadas.
As pessoas entram em combustão tão rapidamente que, como os fósforos, chegam a um Burn Out, queimam-se rápido, muitas vezes sendo iguais às moscas que batem contra o vidro da janela não sabendo a saída que está unicamente nelas e na sua atitude perante as causas das coisas.
Os ingleses costumam dizer:
If you act in haste you will repent in leisure.
Isso faz lembrar o que acontecia em Roma.
Na mitologia da Roma Clássica, havia a figura de Marte, o deus da guerra.
Era o deus da impetuosidade, do desejo rápido, da temeridade, do ter de ser ansioso para conquistar, para ambicionar, para ter…
Mais tarde foi criada uma máxima na Antiga Roma que dizia:
"Marte banha-se no seu próprio sangue…"
O significado vejam por vocês…
As guerras, as lutas, as discórdias, o preparar-se para a guerra, a ira, a irritabilidade, as altercações…
Tudo isso depois resulta em duros arrependimentos (repent in leisure) quando estamos mais sós e de facto refletimos.
Um homem irado é alguém que quer atirar uma brasa a alguém mas acaba só por se queimar a si mesmo.
Se optares pela vingança, cava duas sepulturas, a tua e a do teu inimigo.
Tudo isto são expressões que nos indicam que o caminho da paz, da harmonia e da alegria interior é o trilho que nos indica que o reino da felicidade está próximo.
Se não está, o corpo nos indica tal, através da dor, das doenças, do mal estar, isso é um sinal de que algo em nós não está bem, é sinal de que algo que precisa de ser reformulado para mudarmos de direção. Nunca como agora se assistiu tão descaradamente ao poder do psicossomático sobre as pessoas. Não é preciso ir muito longe para provar isso, vejam por exemplo, se pensarem num limão demoradamente verão que começarão a salivar, ou seja, o pensamento refletiu-se no corpo. Vejam então o que coisas como: o alimento a falta de autocontrole, ter pensamentos de raiva, ódio e ressentimento, ceder a um temperamento precipitado, desejos baixos gratificantes não terão sobre um corpo frágil e incrivelmente sofisticado como o nosso.
Marte também é o símbolo do desejo excessivo, da ambição desmedida, da vontade furiosa de ter.
Aplicando isto a certos sistemas que só privilegiam a ambição excessiva em detrimento da dignificação e do bem estar da maioria das outras pessoas, dá no que assistimos diariamente:
Marte banhando-se no seu próprio sangue, nas desigualdades gritantes entre os que mais oportunidades de vida têm e os que menos condições possuem, não só em bens materiais, mas em oportunidades de desenvolvimento integral de si mesmos.
Basta assistir a um noticiário televisivo e vemos logo ali a Marte banhando-se no seu próprio sangue:
Desde o sensacionalismo ao desgraçadismo fica-nos, visto do lado bom e positivo, a lição de não fazermos igual ao que ali sucedeu naquelas imagens da TV, principalmente nas suas causas.
Confúcio já dizia:
Imita as qualidades de quem é bom, mas olha para ti mesmo se vires alguém vicioso e não faças igual…
Imita as qualidades de quem é bom, mas olha para ti mesmo se vires alguém vicioso e não faças igual…
De tudo se pode retirar o sumo da sabedoria, até do banal, do mórbido e do sensacional.
Ouvi isto num tweet outro dia e pareceu-me relevante:
"Tirem a face do Facebook e ponham a vossa face num book a sério, tentem ter pelo menos 30 segundos de concentração seguidos!
Caso contrário vocês são todos uns peixinhos no mundo líquido de Bauman, indo para lugar nenhum, levados apenas pela corrente das modas e sendo sempre comidos pelos peixes grandes…"
Pensar os dias de hoje pode ser um exercício de se conhecer a si mesmo.
Como os pensadores Zen, penso mesmo que o Outro está em nós…
Somos todos espelhos uns dos outros, diz um ditado popular.
É preciso pensar por si mesmo/a para se conhecer a si mesmo/a.
Mas não se pensa para mostrar as penas do pavão mas sim para encontrar a saída do labirinto fugindo do minotauro.
É preciso pensar por si mesmo/a para se conhecer a si mesmo/a.
Mas não se pensa para mostrar as penas do pavão mas sim para encontrar a saída do labirinto fugindo do minotauro.
O minotauro (Homem + signo de Touro) simboliza o culto extemporâneo dos sentidos, do estar apenas agarrado à matéria.
O crocodilo, no Antigo Egipto, era um deus mau porque representava o ser que devorava algo que estava na superfície das águas e arrastava a sua presa para o fundo.
Assim é o homem preso à matéria, deseja apenas agarrar a sua presa, a ideia, levando-a para o fundo, para o mundo da matéria, pensando que só debaixo das águas é que existe de facto a realidade.
O homem moderno está assim, agarra uma ideia que está no cimo das águas e chafurda-se no fundo do lodo da matéria depois com ela.
Do mundo das ideias veio a matéria toda que nos rodeia.
Os arquétipos das coisas foram dali criados para o mundo dos sentidos depois.
Não façamos como o crocodilo mau.
Sejamos anfíbios…
O crocodilo, no Antigo Egipto, era um deus mau porque representava o ser que devorava algo que estava na superfície das águas e arrastava a sua presa para o fundo.
Assim é o homem preso à matéria, deseja apenas agarrar a sua presa, a ideia, levando-a para o fundo, para o mundo da matéria, pensando que só debaixo das águas é que existe de facto a realidade.
O homem moderno está assim, agarra uma ideia que está no cimo das águas e chafurda-se no fundo do lodo da matéria depois com ela.
Do mundo das ideias veio a matéria toda que nos rodeia.
Os arquétipos das coisas foram dali criados para o mundo dos sentidos depois.
Não façamos como o crocodilo mau.
Sejamos anfíbios…
Outros também pensam de maneira semelhante a cultura moderna, vejam a perspetiva deste criativo britânico, Steve Cutts, que nos deixa este pequeno vídeo de cerca de 3 minutos:


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