
Texto : "O Filósofo" por Marco António Oliveira
***
Noutro dia encontrei o filósofo.
Tinha as barbas grandes a andava pelas estradas com a pele bronzeada de muitos meios dias a caminhar sozinho.
Parou à minha frente.
Disse-me que ia para Santiago de Compostela só como um lobo manso.
Ficamos a conversar no sol morno.
Ainda me lembro destas palavras que me disse:
"Andando pela rua de uma cidade qualquer, não me lembro o nome, fui vendo nas montras de certas lojas um apelo ao consumo tão forte que me parecia estar a caminhar por entre teias tecidas para me apanhar desprevenido.
As aranhas estavam nas lojas, silenciosas.
Que sociedade do consumo desenfreado é esta que nos vende o sentido da vida como sendo o êxito a todo o custo, a sede pelo poder a todo o custo, a sede pelo dinheiro a todo o custo, o ter de ser celebridade a todo o custo para poder ter uma vida feliz?
O ápice da existência é ter servos que nos obedeçam, é ter símbolos de status e de poder que nos façam parecer grandes perante os nossos semelhantes.
Isso tudo e poder comprar, sim, poder comprar desenfreadamente para ter e mostrar.
Para ter o quê?
Para mostrar o quê?
Um espólio ferrugento de máquinas e de mercadorias, de coisas novas que depois já não o são, narcicises de espelho partido depois de verificada a nossa pequenez neste mundo.
E as multidões, são cegos conduzindo outros cegos, impreparadas, dizem opiniões segundo as modas sem lei nem ordem por entre opinion makers que forjam na persuasão o que o meu tribunal da razão não consegue discernir.
Vivemos por entre anúncios de publicidade e de política...
E neste rol de coisas, vamos para onde?
Para a rampa deslizante do abastado vazio…
Sem a procura de um sentido os sentidos que as multidões no dão são cataventos desgovernados.
Homem, conhece-te a ti mesmo, entra no teu silêncio e cava o teu poço na tua consciência para não passares a sede deste deserto.
Estamos no caminho do sol e isto não vai parar.
Caminhamos sobre as águas da impermanência e da mudança e se não sabes nadar morres no pântano da tristeza anémica.
O filósofo pegou no cajado, sorriu e continuou caminho rumo a Santiago.
Fiquei a vê-lo partir depois de sacudidas as sandálias.
O vento passou transparente trazendo-me uma instantânea lucidez.
Sic Transit Gloria Mundi…
Tinha as barbas grandes a andava pelas estradas com a pele bronzeada de muitos meios dias a caminhar sozinho.
Parou à minha frente.
Disse-me que ia para Santiago de Compostela só como um lobo manso.
Ficamos a conversar no sol morno.
Ainda me lembro destas palavras que me disse:
"Andando pela rua de uma cidade qualquer, não me lembro o nome, fui vendo nas montras de certas lojas um apelo ao consumo tão forte que me parecia estar a caminhar por entre teias tecidas para me apanhar desprevenido.
As aranhas estavam nas lojas, silenciosas.
Que sociedade do consumo desenfreado é esta que nos vende o sentido da vida como sendo o êxito a todo o custo, a sede pelo poder a todo o custo, a sede pelo dinheiro a todo o custo, o ter de ser celebridade a todo o custo para poder ter uma vida feliz?
O ápice da existência é ter servos que nos obedeçam, é ter símbolos de status e de poder que nos façam parecer grandes perante os nossos semelhantes.
Isso tudo e poder comprar, sim, poder comprar desenfreadamente para ter e mostrar.
Para ter o quê?
Para mostrar o quê?
Um espólio ferrugento de máquinas e de mercadorias, de coisas novas que depois já não o são, narcicises de espelho partido depois de verificada a nossa pequenez neste mundo.
E as multidões, são cegos conduzindo outros cegos, impreparadas, dizem opiniões segundo as modas sem lei nem ordem por entre opinion makers que forjam na persuasão o que o meu tribunal da razão não consegue discernir.
Vivemos por entre anúncios de publicidade e de política...
E neste rol de coisas, vamos para onde?
Para a rampa deslizante do abastado vazio…
Sem a procura de um sentido os sentidos que as multidões no dão são cataventos desgovernados.
Homem, conhece-te a ti mesmo, entra no teu silêncio e cava o teu poço na tua consciência para não passares a sede deste deserto.
Estamos no caminho do sol e isto não vai parar.
Caminhamos sobre as águas da impermanência e da mudança e se não sabes nadar morres no pântano da tristeza anémica.
O filósofo pegou no cajado, sorriu e continuou caminho rumo a Santiago.
Fiquei a vê-lo partir depois de sacudidas as sandálias.
O vento passou transparente trazendo-me uma instantânea lucidez.
Sic Transit Gloria Mundi…

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