*** Algumas ideias principais de T.W. Adorno, da Escola de Frankfurt, para refletir... ***



- Resenha do livro "Dialectic of Enlightenment" -


Assiste-se a uma nova barbarie.

As grandes invenções pagam-se com uma decadência crescente da cultura teórica.

O pensamento converte-se inevitavelmente numa mercadoria, a linguagem converte-se no elogio a si mesma.

Assiste-se a uma instrumentalização da ciência, as questões sociais foram afetadas pelo processo global de produção fundindo-se na ideologia da produção, essa ideologia da produção é um instrumento ao serviço do existente.

Os movimentos na História mostraram-nos que:

Napoleão Bonaparte deu cabo da fogueira da Inquisição.

Com os Enciclopedistas, assistimos à ascenção de Augusto Comte e do positivismo.
O positivismo varreu de vez com a metafísica de milénios.
Esse é um facto que explica os tempos que vivemos.

As expressões estão em conformidade com os pensamentos dominantes.

A linguagem desgastada é compensada com maquinaria social.

A censura à imaginação teórica prepara terreno para a loucura politica.

Pela censura as pessoas não têm meios de resistir.

A liberdade da sociedade vem do pensamento ilustrado.

As massas são tecnicamente educadas para o despotismo com afinidade autodestrutiva, com a paranoia populista, isso é fruto da debilidade teórica actual.

A Ilustração são as ideias burguesas encarnadas em pessoas e instituições, a verdade é a sua configuração da realidade.

Há um medo da civilização moderna de se separar dos factos que estão na percepção pré-formados com os cliches da ciência, dos negócios e da politica, esse medo é identico ao medo do desvio social.

A falsa claridade é outra expressão do mito.

O individuo fica anulado frente aos poderes económicos, estes elevam o dominio da sociedade a alturas nunca antes suspeitadas.

O individuo desaparece frente ao aparelho que serve, este dá-lhe o sustento mais do que nunca.

Estando numa situação injusta, a impotência e a docilidade das massas crescem com a quantia de bens que se lhes dá.

O espírito nega sempre a coisificação, o espirito consolida-se como um bem cultural mas é distribuído com fins de consumo.

As informações minuciosas e as diversões domesticadas aumentam e entontecem de vez os homens.

A fábrica higiénica liquidou com a metafísica.
As fábricas higiénicas converteram-se em metafísica, em cortina ideológica por detrás da qual se concentra o infortunio real.

Há uma idolização do poder que controla a técnica.

A industria cultural põe em evidência a anormalidade social.

A Ilustração é o pensamento que pensa no progresso e que quer tirar o medo aos homens e convertê-los em senhores.

Segundo Francis Bacon, a tradição tem um erro:
“As pessoas creem que os outros sabem o que elas não sabem e que elas mesmas sabem o que não sabem.”

A crença, a aversão à dúvida, a irreflexão nas respostas, a jactancia cultural, o temor a se contradizer, o interesse pessoal, a negligência das investigações, o fetichismo verbal, o ficar-se com conhecimentos parciais, impediram o matrimónio do entendimento humano com a natureza das coisas ficando apenas conceitos vagos e experiências desordenadas.

A superioridade do homem reside no saber.

Segundo Francis Bacon:

"Hoje dominamos a natureza com a nossa opinião enquanto estamos submetidos à sua necessidade, mas se nos deixassemos guiar pela Natureza na invenção poderiamos ser os seus mestres na prática."

O saber, que é poder, não conhece limites, nem na escravização de criaturas nem na condescendência com os mestres do mundo.

A economia burguesa vê os seus objetivos realizados na fábrica e na guerra.

A técnica aspira ao método, à exploração do trabalho dos outros, ao capital.

O que os homens querem aprender da natureza é a maneira de servir-se dela para a dominar por completo e também aos homens.

Só o pensamento que faz violência a si mesmo é suficiente forte para triturar os mitos.

Segundo Francis Bacon:

"Poder e conhecimento são sinónimos."

Houve uma erradicação do animismo na ciência, o mundo converte-se em caos e a síntese em salvação.

Exemplo disso é Kant que combate as ditas fantasias de Swedenborg.

No caminho para a ciência moderna os homens renunciam o sentido, substitui-se o conceito pela fórmula e a causa pela regra e a probabilidade.

A ciência era 'idola theatri' da velha metafisica, eram monumentos de entidades de poderes da preehistória, cuja vida e morte foram interpretadas e entrelaçadas nos mitos.

O que não é cálculo e utilidade é suspeito para a ilustração.

A Ilustração é totalitária.

A Ciência Universal é uma ideia de Francis Bacon.

A Ilustração relaciona-se com as coisas como o ditador com os homens, este conhece-os na medida em que pode manipulá-los.

No estado mágico, o sonho e a imagem não eram signos da coisa, mas estavam unidos a ela por semelhança ou por nome.

O mito solar da antiga religião popular, patriarcal, é já Ilustração.

A unidade do coletivo manipulado consiste na negação de cada individuo.

Platão proscreveu a poesia de mesma forma que o positivismo fez proscrita a doutrina das ideias

Cada obra de arte, no seu âmbito distingue-se do real.

A arte cria a pura imagem em contraste com a existência material.

O sentido da obra de arte, na sua aparência estética, é ser aquilo em que se converteu, a magia do primitivo, do acontecimento novo, terrível; a aparição do todo no particular, a arte desdobra-se em algo espiritual, isso constitui a sua aura, a arte reclama a dignidade do absoluto.

Para Schelling:
"A arte começa onde o saber desampara os homens, a arte é o modelo da ciência e a ciência deve chegar onde está a arte, a separação entre imagem e signo fica completamente superada em cada representação artistica."

O mundo burguês raramente esteve aberto a esta fé na arte.

A fé, por depender da limitação do saber, acha-se também ela limitada.

O fanatismo da fé perpetua a separação na luta para superar tal separação, o fanatismo marca a sua falsidade, a má consciência é a sua segunda natureza.

A Reforma e a Contrareforma foram uma realização do principio da fé.

A sugestão, que tem também algo do terror infundido pelo fetiche, não radicava na justificação consciente.

Os conceitos não podem estar seguros na Ilustração, são como os pequenos proprietários e os monopólios.

Os conceitos sendo tomados por alguns tornam-se armas de poder, usam-se para atemorizar e fazer escravos das pessoas.







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